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Estudo mostra relação entre dores crônicas e depressão

Um estudo de dois médicos brasileiros, baseado em pesquisas feitas no exterior, estabeleceu uma ligação entre dores crônicas e o risco de desenvolver depressão. E esse risco é maior se as dores forem na coluna.  

Não dá para ensinar química parado, diz o professor Rodrigo Obata.
“Eu preciso falar, preciso andar ali, cutucar o fulano ali que está dormindo”, conta o professor de química Rodrigo Obata Mourinho.
Mas durante cinco meses, uma dor na coluna o manteve parado, em casa, incapaz de lavar um prato ou de abraçar a própria filha pequena.  

“Então a gente vai se sentindo assim muito inútil. Então acaba ficando muito depressivo, mal humorado mesmo”, explica Rodrigo Obata.
A cirurgia da hérnia que causava a dor, hoje feita com técnicas pouco invasivas, acabou resolvendo os dois problemas.

“Problema de coluna, ele tira a autonomia, tira a possibilidade de locomover.  A gente tira a causa do sofrimento. A gente tira a causa da depressão”, afirma o ortopedista Pil Sun Choi.
 
Nos últimos três anos a dor nas costas foi a principal causa de aposentadorias por invalidez no Brasil. E além de um prejuízo pra sociedade essa interrupção do trabalho, da vida produtiva, tem mesmo muito a ver com depressão.

Até 50% dos pacientes com dores crônicas, que duram mais de três meses, desenvolvem depressão. O índice pode chegar a 60% entre os que tem dores crônicas nas costas.

A tristeza de Dona Eunice começou quando ela ficou viúva. Mas virou depressão quando a dor constante a afastou do trabalho voluntário. “Dói tudo. Parece que está enfiando uma faca”, lamenta Eunice.

O prognóstico para a dor física de Dona Eunice é bom: existe cura. Mas o lado psicológico também será investigado. Entrevistado pela internet, o pesquisador brasileiro Luiz Dratcu, radicado em Londres, diz que a relação entre dor e depressão não é simplesmente emocional, é também física.

“Isso é uma área que a gente está investigando cada vez mais. A depressão em si comporta uma dimensão como se fosse um processo inflamatório”, explica o psiquiatra Luiz Dratcu.
 


Sociedade Brasileira de Cirurgia Minimamente Invasiva de Coluna
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